November 21, 2017

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Meu Mestre e o Príncipe Swami

October 6, 2017

 

            Meu mestre é conhecido em toda a Índia por este acontecimento histórico que vou relatar. Ao que tudo indica, muitos advogados, juízes e outras pessoas cultas na Índia já o conhecem.

 

            Havia um moço chamado Bhawal Sannyasi, que era príncipe herdeiro de Bhawal, Estado de Bengala. Depois do seu casamento, passava a maior parte do tempo com a esposa em sua luxuosa residência na montanha, em Darjeeling. A esposa apaixonara-se por um médico, e os dois amantes conspiraram para envenenar o príncipe. O médico começou a aplicar-lhe injeções de peçonha de naja em doses mínimas, dizendo ao príncipe que eram injeções de vitaminas. Em seguida, foi aumentando lentamente as doses até que um dia, dois meses depois, o príncipe foi declarado morto. Imensa procissão transportou-lhe o corpo ao local de cremação, à margem de uma ribeira da montanha. No momento em que se ateou fogo às pilhas de lenha e se colocou o corpo sobre o fogo, desabou uma chuva torrencial. (Darjeeling tem fama de ser o lugar de maior densidade pluviométrica do mundo). A chuva apagou o fogo e a ribeira transbordou, carregando o corpo em suas águas.

 

            Três milhas a jusante do local de cremação, meu mestre se achava numa caverna com alguns discípulos swamis. Viajava, naquela ocasião, das faldas das montanhas de Kinchanchanga para a nossa caverna no Himalaia de Kumayun. Quando viu o corpo amarrado com pano de ataúde e varas de bambu precipitando-se ribeira abaixo na sua direção, deu instruções aos discípulos para que o retirassem da corrente e o libertassem das cordas bem amarradas. E disse:

 

            - Esse homem não está morto, mas em estado de profunda inconsciência, sem respiração e sem pulsação normais. É meu discípulo.

 

            Os swamis desamarraram as cordas e levaram o corpo à presença dele. Duas horas depois, o príncipe recobrara os sentidos, mas esquecera completamente o passado. Tornou-se discípulo de meu mestre e foi iniciado, mais tarde, como renunciante. Viveu com meu mestre sete anos. Meu mestre recomendou-lhe, então, que visitasse diferentes lugares para conhecer outros sábios. Predisse que o príncipe swami encontraria sua irmã e se recordaria do passado, vaticinando ainda:

 

            - Surgirão muitos problemas para nós e, por isso, acho melhor procurarmos maiores altitudes.

 

            Endereçou-se à nossa caverna ancestral no Himalaia e lá ficou vários anos.

 

            Depois de errar por diversos meses nas planícies e conhecer muitos sábios, um dia, sem querer, o príncipe swami foi pedir esmolas em casa da irmã, que o reconheceu de pronto. Em seis horas ele relembrou todos os pormenores do passado. Eu era jovem nessa época e me recordo com precisão das minúcias do incidente, tais como foram então relatadas.

 

            Influenciado pelas investigações da família e lembrando-se do passado, o príncipe swami dirigiu-se ao tribunal e afirmou ser o príncipe de Bhawal. Chamaram-se inúmeras testemunhas para depor em favor de ambas as partes do caso. No correr do processo ficou provado que o médico obtivera veneno de naja de um laboratório em Bombaim. E ficou provado, sem qualquer sombra de dúvida, que o swami era o príncipe envenenado pela esposa e pelo médico, amante dela. O príncipe swami contou que, tendo sido declarado morto, seu corpo fora carregado para o sítio de cremação perto de Darjeeling, arrebatado por uma inundação e recolhido por um mestre do Himalaia e seus discípulos. Meu mestre não foi ao tribunal, mas mandou dois swamis para depor. O caso continuou no tribunal de Calcutá vários anos e foi um dos processos mais compridos e de maior repercussão em toda a história judiciária indiana. O príncipe, afinal, recuperou a posse de sua propriedade e riqueza mas, ironicamente, morreu um ano depois.

 

            Através deste caso meu mestre se tornou conhecido em todo o país e começou a ser procurado. Sempre evitou multidões e apenas tem trabalhado com um grupo seleto de discípulos, aos quais proporciona constante e carinhosa direção. Não quer aparecer sob a luz de refletores. O povo da Índia já perguntou muitas vezes quem é esse grande sábio, mas meu mestre prefere permanecer afastado das multidões. Prefere continuar desconhecido, e diz que o aspirante que deseja realmente seguir o caminho da iluminação evitará multidões, publicidade e grandes séquitos.

 

            Nome e fama são as maiores barreiras e armadilhas que pode encontrar um homem espiritual. Mesmo depois de abrir mão das posições mundanas, o desejo de conquistá-los se esconde na mente inconsciente. O aspirante deve eliminar de todo esse desejo, dedicando o corpo, a mente e a alma ao Senhor e não tendo nenhum desejo pessoal, seja ele qual for. Um sábio nessas condições pode ajudar, curar e guiar a humanidade desde um canto sossegado e isolado do Himalaia. Servir a humanidade torna-se parte importante da vida para tais sábios, que nada espera dela, pois entendem que servir à humanidade é a expressão do amor de Deus.

 

 

Vivendo com os Mestres do Himalaia

Experiências Espirituais do Swami Rama – pág. 43

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